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Corvo atravessa a rua

Posted by

hugo-pregos

Saí á rua.

O mundo e a vida mostraram-se tão belos e perfeitos na imagem de um homem carregando uma cama de madeira nas costas no lugar de uma cruz.

[Jesus esteve carregando uma cruz bem pesada como este homem estava carregando a cama nas costas (descartada e muito plana nada sinuosa), muito preocupado com o momento em que começaria a feder. Jesus foi

endeusado

por causa da dor e do sofrimento no episódio da cruz, e o que o precedeu. O homem carregava a cama depois de acumular muita dor nas costas. Se multiplicarmos toda a dor que ele sentiu nos últimos sete anos, torno então de dois mil dias sem ter uma cama muito plana nada sinuosa para dormir, poderíamos comparar com a dor da crucificação? O homem carregava a cama pela cidade aos 33 graus Celsius rezando para si que só faltava um quarteirão, mas ainda faltava uma milha. E havia ainda uma escada por onde a cama deveria subir. Escada essa bem estreita e escura por ser iluminada por lâmpada bem ruim e ele não arquitetara bem a logística para, até então. E ele começou a pensar nas pessoas que são hipoteticamente devoradas vivas por cães na Coréia do Norte e começou a chorar por elas enquanto carregava a cama. Como podemos especular sobre o quanto esse fato é esporádico? E o homem nem mesmo estava questionando o quanto ninguém os

endeusou

ou quem

endeusou

a ele por causa do acúmulo de dor. Tudo o que o homem pensava depois era o porquê de carregar a cama, era por causa de uma mulher, ele queria uma boa cama para tentar

endeusá-la.

É como as pessoas se

endeusam

hoje em dia. Pela beleza, não pela dor. E a mulher a ser

endeusada

só queria estar com ele, ter sua longa ferramenta ou ter a ferramenta como ela era, para afrouxar as engrenagens, não importa como, não importa onde, só queria estar com ele e ser dividida em duas, e nem mesmo era pelo voluptuoso fato de que o homem tornara-se recentemente um sindicalista. Ele ainda terá uma cama muito boa e uma casa, mas agora, considerava abandonar a cama por exaustão após o quarto ou quinto quarteirão, para finalmente abandoná-la exausto no sexto.

Nesse momento olhou para cima em direção a deus e disse:

Me respeite!

Me respeite!]

 

Esse texto é um trecho do romance inédito “Um Tiro de Um Milhão de Anos”.