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Para meu papel em branco

Posted by

drienjan14

Só agora escrevo para pedir: desculpe-me esse silêncio não bom, silêncio de quem briga com o tempo e perde. Perde-se.

A parada aqui perto de casa, nosso marcado ponto de encontro, quase virou parada militar. Muita gente na rua, manifestações de toda ordem, desordenadas algumas, ordinárias outras. Fogo ateado no burburinho do trânsito. Polícia fechando o tempo como se fosse sinal. Dos tempos. No final, tudo acaba em futebol.

Parada fiquei eu esperando o ônibus que não veio. Caminhei de volta pra casa acompanhada de meu silêncio. Meu amor. Perdido pelo mundo cruel, perdido o mundo e eu, perdida, sem palavras.

Uma crueldade só.

Tempos áridos esses, quando não encontramos as palavras que guardamos, quando já não lembramos onde.

Minha avó dizia: Quem guarda com fome o gato come. Guardei a fome. E a saudade que vamos esfaquear, para matar a fome com a língua um do outro, palavras, palavras, que vão nos saciar de silêncio. A substância do não dito, o tanto de vezes nas quais o tato de nossos dedos não alcançaram um ao outro.

Silencio.

Volto pra casa e me mato em silêncio, saudade virou meu nome.

Renasço três dias após porque o mundo, embora cruel, não tem esquinas, é esférico. E o vento acabou de fazer a curva em meus cabelos.

Beijos, meu bem e até de novo.

da sua Remington Rand