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Manifesto

Nós que aqui estamos de vós esperamos leitura; voz em punho, armados até a língua, viemos apunhalar a inércia. Somos poucos, não fracos, somos uma gente que respira. Palavra.

A gente não tem paz o que a gente pode, e faz, é deixar nos seus olhos um cisco, uma pedra sob o calcanhar, é entregar a vocês sílabas de desconforto e inquietação.

Palavras podem ser encontradas em qualquer mercado ou placas indicativas, livros de autoajuda, jornais e revistas a preço módico. Hoje, aqui em nossas mãos, as palavras vão custar apenas nada, o vazio que nos movimenta na direção delas, o tempo que levaram para gestar no papel e nascer do branco. São de graça mas não gratuitas. Elas são desvalidas, dão dó, faz graça vê-las pedindo um recorte da sua atenção para curar o frio, solicitando abrigo em suas mãos. Levem-nas! Elas sabem voar, não pesam ao longo do dia. Talvez apenas lhe tirem o prumo e provoquem espirros.

A gente podia estar mentindo, sequestrando relâmpagos, cheirando superbonder ou correndo atrás dos números na bolsa de valores; mas não, a gente está doando palavras para se manter humano. Peguem. É de graça, porque elas valem tanto que não se pode apreçar. Peguem e sigam seu dia feito quem perdeu a inocência e a gente fica aqui, feliz feito quem roubou um beijo.